{tentei me lembrar do antes, dos versos que eu escrevia e que floresciam só depois de você. daquela ansiedade vermelha, que precedia o teste tático e estático. de te ver ao vivo ou em tecnicolor. de sonhar e mandar cartas. mas há sempre esse nó, que me amarra e sufoca, logo antes da linha do trem e que me faz esquecer cada dia um pouco mais.}
Eu vou, por que não?
Faz um bom tempo em que eu não escrevo por vontade e não por dor ou por cansaço, para desentupir o ego ou para abrir espaço. Faz um bom tempo em que eu me preocupo tanto em achar alguma coisa que me fizesse sentir, nem que fosse só um pouquinho, que acabei plastificando e recortando meus próprios sentimentos (em comparação com a de antes, pareço uma paródia e há qualquer coisa de falso no jeito com que me relaciono).
Ainda escrevo por desabafo. Não consigo entupir conhecidos com meus problemas, que quando ditos em voz alta parecem tão mínimos. Não consigo berrar de raiva ou declarar traços de amor. Permaneço muda e com a mente itinerante, pulando de fato em fato, inquieta, remoendo tudo e qualquer coisa. Seria eu, esse emaranhado todo, afinal?
Sei que me repito. O que escrevo não tem um alvo e por isso minha produção gira em torno do que eu sinto, vejo, faço ou invento. E isso tudo se repete numa proporção cármica e bem egoísta, já que tudo é sobre mim, sobre mim, sobre mim.
Não sei por que escrevo isso. Talvez seja um pedido de desculpas à mim mesma, ou a quem quer que tenha se achado no que eu escrevia. Sei que já fiz isso antes, por mais que a memória me falhe sobre exatamente quando ou como. Sei que ninguém lerá e esse será apenas mais um apelo mudo por atenção. Mas a vida corre mais que um rio, o tempo passa e cá estamos. Volto a escrever por ter ficado tanto tempo calada, uma mão no bolso e a outra com o coração. Volto com mais lirismos, erros, falta de métrica, pretensiosismo e uma vontade preguiçosa. Volto assim, por que não?
achados-já-perdidos
porque o tempo me arrastou pela mão e me jogou sozinha numa encruzilhada-nó
em que eu me vi de frente pro que era e pro que queria ser
(o que eu fui, não tem seguro, virou pó)
e não sei se bem ou mal escolhi, mas virei
um emaranhado só, de cachos, laços e beijos mordidos
despedidas mudas e falsos amigos
que não levam a nada
não agregam, não constroem nada
só disfarçam qualquer vazio, qualquer buraco
e consertam tanto quanto durepoxi
{falar com estranhos faz as dores parecerem aguadas: muita água e pouca tinta, pouca dor e muito drama. e isso é bom.}
cuspo sangue
porque as palavras não merecem sair
canto os bons dias
que parecem arrancados à força, tirados do fundo do meu pessimismo
culpo meus pais
já que a carne de onde vem a carne é fraca e é mesquinha
cato as migalhas
da atenção que, sem cuidado, você dirige a mim
e fico sempre pensando
eu não mereço tanto
eu não mereço nada
eu merecia mais
Anonymous asked: Qual o segredo para deixar de sentir a beleza do mundo e parecer mais normal aos olhos da sociedade? Por favor, me responda. Obrigado!
Às vezes cansa. E às vezes dá saudade. Me deixa por hoje, mas dá um abraço na família.
24658327 asked: de conversar bobagens até não poder mais. de trocar cumplicidades em um olhar. de cantar, dar risadas, rodopiar pelo gramado. dos seus cachos, seus sorrisos, seus desenhos, sua dança. das flores que nascem pelo vento quando você passa. saudades de você, menina bonita.
Também sinto sua falta. Tanto.
Anonymous asked: Voltou pra ficar?
Sim, olh’eu aqui de volta.
Prontinha pra alimentar o sadismo de vocês.
Onde eu me perdi?
Dentro daquilo o que
Eu vivi
Submersa nesse mar
Anestésico
Vivendo de contar as horas
E cobrar respostas
Para me esconder por mais
Um dia
E mal saber que
Eu
(Infeliz)cresci.
ele disse algo
que nunca foi ouvido
e abriu os olhos
à procura de sentido
na baderna de gente, guitarras e carne fresca
seu corpo seguia a ondulação humana
frenético, epilético, balançava num choque
ele era a massa e o extâse
era a caça, era presa
ligado ao movimento pélvico-sonoro
que arrasava tudo
ele abriu a boca
para aquele grito mudo
explodiu.




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